Introdução
A monarquia em Israel havia se iniciado com Saul, um homem benjamita
escolhido por Deus para lhe representar após o pedido do Povo a Samuel, de que
queriam um rei.
Ter um homem como
rei no lugar do Senhor não traria problemas a Israel desde que obedecessem aos
mandamentos de Deus, estivessem em seu caminho e não se desviassem dele, nem
para direita e nem para a esquerda.
Além disso, a confiança no Senhor como líder acima
do Rei deveria estar clara na mente de Saul e deveria fazer parte do seu caráter.
Mas o tempo veio mostrar que isto não aconteceria.
Saul não confiou no
Senhor em suas batalhas e ofereceu sacrifícios no lugar do Sumo Sacerdote
Samuel, ao qual cabia o papel de buscar a palavra de Deus e ser o canal de
comunicação entre o povo, incluindo o Rei e Deus. Nesta batalha em que ofereceu
holocaustos ao Senhor, no lugar do sacerdote o próprio Samuel afirma, “o que
fez, neste dia seria confirmado teu reino para sempre em Israel”. Sim, o Senhor
havia escolhido a casa de Saul para que reinasse para sempre em Israel.
O Rei teve a
oportunidade de se redimir, Deus havia julgado aos amalequitas, pois no êxodo haviam
agido traiçoeiramente e atacado Israel enquanto estavam no deserto. Samuel
deixou claras as ordens do Senhor, “destrua tudo e mate todos”. Porém Saul
permitiu que o povo levasse os bons despojos e desprezasse o que não lhe parecia
bom, ainda sim levaram muitos animais e Saul para se vangloriar aprisionou o
rei amalequita, na intenção de demonstrar poder, porém não cumpriu a ordem do
Senhor deixando de demonstrar sabedoria e sujeição.
E Deus se entristeceu
e ordenou a Samuel que ungisse outro homem como rei no lugar de Saul.
Samuel foi enviado a
Jessé, homem que tinha oito filhos, sendo destes três guerreiros do exercito de
Israel. Ao chegar a sua casa, pediu que seus filhos fossem apresentados, todos
muito bonitos e fortes, porém nenhum continha o que o Senhor procurava.
O oitavo filho não
estava em casa, estava a cuidar do rebanho de seu pai e o mandaram chamar. O
menor de sua casa, pequeno e ruivo, porém com um coração que aos olhos de Deus
o tornará ainda maior que Saul. Seu nome era Davi.
“O pastor de ovelhas?”,
todos se perguntam. Em nenhum momento pensaríamos que um pastor de ovelhas
seria nomeado rei.
Devemos nos lembrar de que o primeiro rei de Israel
era o menor dos menores, financeiramente. Filho da menor família, da menor
tribo de toda a nação. Saul, no futuro se demonstrou soberbo de coração.
Mas desta vez o
Senhor escolheu um homem ao qual enxergava em seu coração algo que lhe agradará
e que seria manifestada ainda mais nesta jornada.
As
qualidades de Davi
Davi ungido rei, não ascendeu ao
trono, antes permaneceu como servo de Saul em sua. Deus fez com que Davi fosse
chamado à casa de Saul, sem que este soubesse que este havia sido ungido em seu
lugar. O espírito de Deus que estava sobre a vida de Saul o abandonou e este espírito
só lhe era retirado ao som da harpa de Davi, que havia sido indicado, sem
nenhuma malicia, por um dos servos de Saul que o conhecia de Belém.
E suas qualidades como servo
escolhido de Deus, começam a ficar evidentes.
Davi não se rebelou contra Saul,
nem intentou contra a vida dele enquanto habitava no palácio, antes serviu ao
rei como um servo digno, obedecendo ao Senhor e respeitando a unção de Saul
como rei. A soberba não lhe subiu ao coração antes permaneceu humilde e esperou
no tempo de Deus.
Enquanto habitava com o rei, lhe
era permitido voltar a sua casa em Belém. Em um destes dias seu pai lhe pede
que visite seus irmãos na guerra, quando chegou ao local de confronto com os
filisteus percebeu algo estranho acontecendo. Enquanto um inimigo de três
metros e tantos insultava e desafiava a Israel, todos os guerreiros temiam e
não se manifestavam inclusive o rei. Davi impelido pelo seu amor e confiança em
Deus, se armou de cinco pedras e foi à batalha em nome do Senhor dos Exércitos.
Seu zelo pelo nome do Senhor e indignação pelos insultos lançados contra o seu
Deus o impeliram a batalha ao qual foi vencedor sendo aclamado nos cânticos das
mulheres como o homem que vencia mais que o rei. Saul enciumado, a partir
daquele dia tentou matar a Davi.
Suas qualidades se tornam ainda
mais evidentes, e faz com que a escolha de Deus seja ainda mais consolidada. Em
todo este período Davi não confiou em si mesmo e ainda sim não buscou tomar o
reino de Saul.
Em contra partida, foi
perseguido incessantemente pelo Rei que identificou o favor de Deus sobre ele,
sendo forçado a refugiar-se no deserto, em cavernas e até em meio aos
filisteus. Davi teve diversas oportunidades de matar a Saul, mas não o fez. Era
como se Deus estivesse entregando Saul nas mãos de Davi, por duas vezes o rei, enquanto
o procurava decidiu descansar dentro de duas cavernas onde o próprio Davi estava.
Qualquer homem que confiasse em
si mesmo e em sua força veria ali o momento perfeito de conquistar o reino, mas
Davi tinha sabedoria e confiava somente no Senhor. Se Deus havia escolhido a
Davi e permitia que Saul mantivesse seu reinado, isto devia ser respeitado e no
momento em que Deus decidisse retira-lo o faria.
Esta
confiança em Deus que o Senhor buscava, pois como poderia um povo, com um rei,
confiar em Deus e seguir os seus caminhos se o seu rei não o fazia.
Mesmo que Saul tentasse mata-lo,
Davi mostrou-se digno da sua unção, até mesmo pelo seu relacionamento pelo
atual príncipe Jonatas. Que também entendeu os caminhos de Deus.
Para Davi, Jonatas poderia
representar um problema, pois era o sucessor do trono, mas diferente do que
todos esperavam, até mesmo do que Saul esperava, Davi se aliou a Jonatas e
tornaram-se mais do que irmãos.
Sua dedicação ao Senhor é
expressa em suas atitudes e palavras. Ele não decidia seu caminho por si só, em
diversas situações consultou ao Senhor o que deveria fazer e obedecia a direção
de Deus, mesmo que esta o enviasse para o deserto mais seco, onde nada teria se
não a presença de Deus ao seu lado para guiá-lo.
Na visão dos homens, tudo estava
contra Davi. Havia um rei indigno em seu lugar, o príncipe ainda vivia e era
guerreiro e hierarquicamente o sucessor do reino. Agora era exilado e inimigo
do Rei perseguido de dia e de noite. Em muitas situações teve em suas mãos a
oportunidade de terminar com toda aquela angustia, mas decidiu confiar na mão
do Senhor. Davi era homem, como todos nós, mentiu, errou, falhou, matou e
simulou. Pecador, mas seu coração sabia onde encontrar o perdão e o caminho que
devia seguir.
Quando jovem ainda pastor de
ovelhas na casa de seu Pai, Davi havia mostrado extrema coragem e fé em Deus,
mas talvez sua maior qualidade fosse o zelo com a vontade de Deus.
Davi demonstrou zelo ao
enfrentar Golias, fidelidade a Saul mesmo sendo perseguido, temor a Deus quando
não o matou. Lealdade aos seus homens e aos descendentes de seu amigo Jonatas.
Além disto, Davi também era
musico e poeta e foi sábio na administração do reino e procurou servir a Deus
com integridade.
As realizações de Davi
Após a morte de Saul, Davi foi
eleito rei pela tribo de Judá e o general Abner nomeou a Isbosete, um dos
filhos de Saul, como rei sobre as demais 11 tribos. Esta divisão durou dois
anos, pois após o rei ter julgado seu general este irado se aliou a Davi.
Isbosete fora assassinado por seus próprios guardas, que acreditavam que seriam
honrados por Davi ao matar seu inimigo, porém Davi não se conformou com esta
atitude e matou estes. A partir daí o povo ungiu a Davi como rei sobre todo o
Israel.
Davi decidiu estabelecer a
capital do reino em Jerusalém, ora conhecida como Sálem dos Jebuseus, que nesta
época era uma cidade no meio da nação de Israel que não havia sido conquistada
desde os tempos de Josué. Localizada em posição estratégica entre Judá e as
demais tribos, e em um terreno elevado sobre os montes Sião e Moriá, seria a
localização perfeita para o que seria conhecida no futuro como a cidade de
Davi;
Davi derrotou os filisteus que
tanto afligiam a Israel e depois de seu reinado este povo nunca mais se
levantou em batalha como nação contra Israel, conquistou os povos vizinhos como
os moabitas, os amonitas, descendentes de Ló e os edomitas descendentes de Esaú.
Ainda conquistou os sírios de Damasco e expandiu o reino.
Estabeleceu aliança com o rei de
Tiro e aproveitou a experiência dos fenícios com o comercio para enriquecer o
seu povo. E reinou Davi sobre todo Israel e julgava e fazia justiça a todo o
seu povo.
O reino nunca fora tão forte, prospero,
pacifico e extenso.
Em busca de adorar o verdadeiro Senhor
Davi, conhecido como homem
segundo o coração de Deus ansiava pela presença de Deus em sua vida. Nesta
época a arca da aliança que representava a presença de Deus estava na casa de
Abinadabe, já por quase vinte anos, após ter sido capturada pelos Filisteus que
foram amaldiçoados com a presença dela e a devolveram ao reino de Saul.
Davi desejava a presença
manifesta de Deus com ele e com o povo de Israel, então ele procurou levar à
arca para Jerusalém e colocá-la numa tenda no Monte Sião.
Além de restabelecer a arca Davi
organizou os levitas em turnos de cantores, músicos e porteiros para que o
culto a Deus nunca se cessasse. Compôs diversos salmos a serem cantados por
estes e deu ordem para que os mestres talentosos ensinassem os demais. Ao todo
Davi organizou uma escala de 280 homens para realizar todos os deveres para com
a adoração.
Ainda sim Davi planejou a
construção do templo, e preparou todo o material necessário para a construção
deste, porém o Senhor não lhe permitiu designando assim para seu herdeiro esta
tarefa.
Conclusão
Os pastores no tempo de Davi
tinham um relacionamento tão próximo com suas ovelhas que muitas vezes, lhe
davam nomes e as conhecia pela forma. Tinham tanta proximidade e cuidado no
tratar que conhecia cada característica destas. Ainda sim, quando uma se perdia
saiam a procura-la. No caso de Davi, arriscou a sua própria vida contra um leão
e contra um urso para salvar suas ovelhas, matando estes animais com as
próprias mãos tamanho cuidado e dedicação para com sua tarefa.
Então o que Deus viu no coração
de Davi?
Davi sabia em seu coração que
sem Deus ele nada poderia fazer, sua dedicação antes de tudo era em honrar o nome
de seu Deus e engrandece-lo e não a si mesmo. Deus procurava alguém que
entendesse que a glória era somente dele, que entendesse o seu amor e
entendesse o seu perdão.
Davi se mostrou este homem, a
sua dedicação não era com as ovelhas era com Deus em honrar seu nome, algo
acima dele e dos seus bens e suas vontades. O coração de pastor busca andar
junto com suas ovelhas, ama a cada uma delas e entrega a sua vida e o seu tempo
para cuidar delas e os alimentar. Não deixa nenhuma para trás e entende que
existe ovelha sem pastor, mas que não existe pastor sem ovelha.
Levando isto para um nível mais
alto, Deus viu em Davi que seus princípios morais se fariam presentes em sua
vida e reinado, buscando assim cuidar dos filhos de Deus entendendo que
existiria um reinado sem rei, pois o Senhor os guiaria, mas que não existiria
um rei sem o Senhor.
A maior demonstração de
confiança no Senhor foi não ter levantado a mão para seu ungido Saul e ainda
sim matar os assassinos de Isbosete. Ele não se alegrava e não permitia que
outros entendessem por suas ações ou omissões que favoreceria atitudes que iria
contra a vontade de Deus.
Nos dias de Davi, o reino voltou
ao tempo dos sacerdotes, quando Deus dirigia o seu povo, e era exatamente isto
que Deus esperava. Ele buscou um homem que o representasse no papel de rei, que
cumprisse a sua vontade, que lutasse as suas batalhas, mas que jamais deixasse
que a soberba subisse ao seu coração acreditando que tudo havia sido realizado
pela sua força.
Davi era homem e pecador, mas
entendia o perdão e a vontade de Deus. Mais para frente em sua história veremos
que também entendia que o perdão não o livrará das consequências e ainda sim atribuía
ao Senhor toda honra e glória jamais duvidando que os caminhos de Deus fossem
maiores que o dele e confiando a Deus sua vida.
Deus se agradou tanto das
atitudes de Davi, que o colocou na linhagem do Messias, prometendo a Davi que o
seu reinado se estabeleceria para sempre através deste.
E assim o fez, Jesus filho de
Davi. Que benção por mais valiosa ou grandiosa que seja seria maior do que
esta. Nem reinos conquistados, nem tesouros ajuntados, nem amores ou qualquer
outro prazer deste mundo pode ser maior do que ser digno de fazer parte da
linhagem do Messias.
Hoje temos a aportunidade de
sermos filhos de Deus, coerdeiros de Cristo, basta que nós tenhamos a coragem,
a fidelidade e sinceridade de lhe pedir que faça da nossa vida sua Casa.
Podemos muito mais do que ter
Deus perto de nós, como representado pela Arca da Aliança, podemos ter Deus dentro
de nós e se permitirmos os mais lindos Salmos brotarão das nossas bocas, assim
como os de Davi.
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