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sábado, 9 de março de 2013

Escolha e Rejeição de Saul


Introdução e Contexto: 
Josué viveu 110 anos e faleceu, a terra prometida havia sido conquistada em parte, mas muito ainda havia que se fazer. O povo serviu a Deus todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras feitas pelo Senhor a Israel.
                Mas após isso, outra geração se levantou após eles, que não conhecia ao Senhor nem tampouco as obras que Deus fizera para libertar a Israel.
                Neste período Israel pecava e se envolvia com a adoração dos deuses pagãos e como consequências destes atos caiam nas mãos dos cananeus e sofriam e eram perseguidos e eram feitos servos dele. O Senhor levantava juízes aos quais atribuía o seu poder e a sua autoridade para julgar, batalhar e libertar a terra, contudo o povo não obedecia aos juízes e logo que Deus os livrava tornavam a se voltar aos deuses falsos e ainda sim quando o juiz falecia, se tornavam ainda piores do que antes.
                O período de Juízes se conclui em Samuel, quando ao final de sua vida o profeta nomeia seus filhos como juízes sobre Israel (1º Samuel 8:1), porém seus filhos não andaram segundo seu caminho, mas se inclinaram a avareza e aceitaram subornos e perverteram o direito.
                Assim os anciãos de Israel se reúnem para falar com Samuel e lhe pedem um rei.
                Deus era o rei de Israel, guiando, protegendo e cuidando dele, mas o povo de Deus decidiu seguir o seu próprio caminho, desobedecendo ao Senhor. Deus disciplinou seus filhos por meio da opressão de outras nações. Eles, porém acharam que estavam sendo derrotados por outros exércitos por não possuírem um rei humano visível.
Como profeta e sacerdote Samuel havia levado seu povo diversas vezes a olhar para Deus como seu Rei e ao mesmo tempo viveu como modelo de reverência e obediência a Deus.
                O fato de ter um rei em si não era errado, uma vez que o Deus já havia prometido um rei (Gn 49:10), e por meio de Moisés deu diretrizes para o comportamento de um rei (Dt 17: 14-20). Mas o motivo pelo qual o povo queria um rei era errado (1 Sm 8:20).
 Eles desejavam ser como as outras nações, tendo um rei para lutar por eles em suas batalhas, mesmo depois de Samuel ter advertido o povo sobre como um rei iria trata-los (1 Sm 8: 11-18 – Impostos, trabalhos forçados, serviço militar).
                O pedido dos anciãos não agradou a Samuel e este orou ao Senhor que lhe respondeu: “Atende a voz do povo, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele”.
                O ano é aproximadamente 1021 A.C.
 
 
A escolha de Saul, exaltando o menor! 
                De uma lado do país um homem perde duas jumentas, bens preciosos para uma família, considerada a menor família da menor tribo daquela nação, e preocupado com seu bem pede ao seu filho que saia com seus servos a procura dos animais.
Do outro lado um sacerdote orientado por Deus deixa sua cidade e seguir em direção ao local determinado por Ele para encontrar um rapaz que livraria o seu povo das mãos dos seus opressores.
Estas duas situações providenciadas por Deus demonstram o cuidado de Deus em atender o seu povo que havia lhe pedido um rei.
O rapaz Saul, passa por várias cidades a procura das jumentas e chega a um lugar chamado Zufe onde começa a desanimar da procura e decide retornar a casa de seu pai, preocupado que este se afligisse por ele não voltar. Neste tempo seu companheiro de viagem propõe que consultem o profeta na cidade, nada menos do que Samuel, que estava ali para um momento já reservado por Deus. Sem saber Saul o encontra no caminho e lhe pergunta sobre o profeta que se apresenta e o convida para jantarem juntos. Após o jantar ao saírem para retornarem para suas casas Samuel unge Saul como rei transferindo a autoridade de liderar o povo para este homem.
Ainda sim, para que perante o povo Saul fosse reconhecido e determinado rei, Samuel convocou todos a Mispá e lançou sorte sobre as tribos, famílias e sobre os homens e o Senhor lhe confirmou sobre todos de Israel. Saul era o rei, que todos imaginavam.
Sobressaia a todos do ombro para cima e ainda sim não se encontrava no reino homem mais belo que ele. O modelo perfeito do Rei que Israel poderia ter imaginado quando decidiu que Deus não lhe seria mais o líder.
 
No campo de batalha, se mostra a confiança em Deus! 
                Saul parecia não entender o que estava acontecendo em sua vida, após sua proclamação como se nada tivesse sido mudado este homem retornou a casa de seu pai e foi tocar o gado como antes o fazia.
                Neste meio tempo os amonitas invadiram a cidade de Jabes Gielade ao norte das doze tribos. Temendo por suas vidas os anciãos da cidade pedem aos amonitas que se aliem a eles e que não os matem. Os conquistadores atendem ao pedido com uma condição, que todos em Israel tivessem seu olho direito vazado, os anciãos pediram uma semana para pensarem no caso e buscaram ajuda por todo o Israel por alguém que os pudesse livrar. Como não se encontrou tal homem, todos se colocaram a chorar e Saul voltando do pasto perguntou o que havia ocorrido e quando o soube o espírito do Senhor esteve sobre ele e grande ira se ascendeu em seu coração. Como símbolo de uma aliança, partiu um de seus gados e várias partes e enviou estas ao reino dizendo que quem não o apoiasse teria como consequência a destruição de seus bens.
                O povo se uniu e 330 mil homens marcharam para libertar Jabes Gileade, pela madrugada houve grande batalha até o entardecer e Amon foi destruído a ponto de fugirem, mas não ficarem dois juntos.
                Saul foi confirmado rei sobre Israel, Samuel lhe resigna seu cargo de liderança a Saul, mas não deixa de repreender o povo por desejar um rei que não Deus. Ainda sim profetiza sobre o povo que se seguirem as leis do Senhor e o obedecerem tanto o rei como a nação seriam prosperas que o Senhor não os abandonaria e seus profetas não deixariam de orar por eles.
                Neste momento teríamos duas figuras representando a autoridade de Deus na terra e que deveriam andar em conjunto e obedecerem ao Senhor. O rei era responsável por administrar a aliança do Senhor e o profeta deveria dar o conselho espiritual e a instrução divina, exortação e admoestação. Esse relacionamento tornava necessário que o rei respeitasse e ouvisse os profetas.
 
                Relacionamento que um ano após inicio do seu reinado Saul deixou de lado, e desobedeceu as instruções de Deus dadas por meio de Samuel.
               
                Um ano após estes acontecimentos os filisteus se reuniram para atacar Israel, antes da batalha Samuel deveria sacrificar ao Senhor no altar para que o Rei tivesse o favor de Deus e a batalha fosse entregue em suas mãos. Samuel orientou a Saul que aguardasse sete dias, neste meio tempo o povo foi se alterando e dispersando, seu exercito foi lhe abandonando. Desesperado Saul se colocou na posição de sacerdote e realizou o sacrifício no lugar de Samuel, momentos antes de este chegar ao local para a cerimônia.
                Samuel o repreende e profetiza que a sua casa não se perpetuará no reinado de Israel pois havia agido nesciamente e não confiado no Senhor, antes temeu aos homens mais do que a Deus e buscou agradar ao povo mais do que a Deus. A atitude de Saul mostrou fraqueza e inconstância por mais uma vez, mas ainda sim Deus deu o livramento ao povo de Israel por meio de Jonatas.
                Uma nova batalha surge contra os amalequitas, Deus havia julgado aquele povo e ordenou a Saul que os destruísse, esta seria a oportunidade de se redimir e o Senhor lhe ordenou matasse a todos os habitantes desde os homens até as crianças de peito, seus animais e seus tesouros com nada deveriam ficar. Mas Saul mais uma vez sucumbiu em agradar o povo, fez o rei amalequita prisioneiro a fim de demonstrar ao povo sua força e ainda sim permitiu a todos que recolhessem os animais e bens de valor e qualidade e o que era desprezível fosse jogado fora.
                O Senhor se arrependeu de ter elegido Saul como seu Rei e veio a palavra por intermédio de Samuel, que Deus o havia rejeita e que outro seria colocado em seu lugar.
 
 
Deus dá seguimento ao seu plano! 
                Todos conhecem a historia do momento em que Davi foi ungido novo rei de Israel, mas o que isso significa para Saul? Este foi o maior sinal de sua rejeição e de que era um rei fraco para o seu povo.
                Por diversas vezes confiou em sua força e não agradou a Deus, primeiro em sua eleição se escondeu, em seguida oferece sacrifícios no lugar do profeta, ainda sim permite ao povo que desobedeça as ordens de Deus descaradamente os levando diversas vezes ao pecado por sua imaturidade. Erigiu uma imagem em sua homenagem e ainda sim se mostrou fraco e inglório, por confiar em si mesmo não enfrentou Golias, o que era dever do rei neste tipo de batalha.
                Davi ungido rei por Samuel, recebeu o espírito do Senhor que se apartou de Saul e repousou sobre ele. Além de o Senhor rejeita-lo como rei ainda lhe retirou seu espírito e colocou sobre ele um espírito maligno que o atacava todos os dias e o levava a loucura. Como providencia de Deus este mesmo espírito era retirado ao som da harpa de Davi que se tornou genro de Saul e por suas inúmeras vitórias passou a ser perseguido e odiado por ele.
                Saul não aceitou o fato de o Senhor ter se apartado dele e enlouqueceu tentando matar o próprio filho que não o apoiava na perseguição contra Davi que lhe era leal, mesmo tendo duas oportunidades de mata-lo não o fez, pois entendia que se Deus o escolhera como rei no lugar de Saul, então que Deus removesse a Saul, não lhe cabia este papel. Ainda sim, preocupado com suas batalhas se venceria ou não procurou uma necromante (Necromancia: Consiste na adivinhação mediante a consulta dos mortos e seus espíritos ou cadáveres) para consultar o espírito de Samuel que já havia falecido, buscando refugio não em Deus mas em forças ocultas, que ainda sim profetizou seu fim.
 
A morte inglória de Saul
                Em sua ultima batalha contra os filisteus, Saul, seus filhos Jônatas, Abinadabe e Malquisua estavam juntos. Os homens de Israel fugiram e caíram mortos pelo caminho e os filisteus apertaram na batalha contra a casa de Saul.
                Seus filhos foram mortos, e com medo de ser usado como vergonha para Israel sendo preso e transformado em escravo ou servo do rei conquistador pediu ao seu escudeiro que o matasse em meio à luta, mas este temeu e não o fez. Desesperado Saul se lança sobre sua própria espada e se mata.
                Os filisteus conquistaram as cidades e enquanto recolhiam os despojos encontraram os corpos do Rei e dos príncipes. Tiraram-lhes as roupas, recolheram suas armas e armaduras, cortarem as cabeças e pregaram seus corpos no muro da cidade de Bete-Seã, próxima a Jabes Gileade.
                Os homens de Jabes souberam do ocorrido e como sinal de gratidão ao Rei que os libertou da vergonha marcharam em direção a cidade, recolheram seus corpos os queimaram e enterraram seus ossos sob uma arvore na cidade.
 
Aprendemos na vida de Saul que: 
                Através da vida de Saul podemos observar que o Senhor não se incomoda com quem somos ou nossa classe social, ou em que situação nos encontramos. A bíblia em diversas vezes nos mostra que Deus nos deseja ao seu lado como somos. Saul era o filho mais moço, da família mais pobre, da menor tribo e isto não impediu sua unção. O Senhor queria transforma-lo em um homem digno de dirigir o seu reinado e tinha planos de manter sua descendia para sempre no reinado de Israel.
                Sua desobediência o desqualificou, sua posição como rei exigia grande lealdade ao Senhor, pois quanto mais próximos estamos de Deus, mas Ele exige santidade e confiança para nos mostrar e nos confiar seu povo e suas maravilhas. Esta desobediência de Saul fez com que sua linhagem fosse interrompida, e infelizmente na história de Israel notaremos que os reis não atendiam ao chamado do Senhor o que os levou a divisão do reino e ainda sim ao cativeiro.
                Existia uma regra simples, descrita em primeiro Samuel, e podemos observar nestas passagens grandes provérbios de instrução.
Primeiramente Samuel os informa que se o povo e o rei seguirem os mandamentos de Deus seriam prósperos, em seguida repreende a Saul e lhe diz que é melhor obedecer do que sacrificar e ainda sim vemos Deus falando a Samuel que ele não olha para aparência e sim para o coração, no momento em que ungia a Davi.
                Mas o coração do homem se exalta e ele passa a esquecer de quem é o seu Deus, e quem é o Seu Senhor.
Nos leva a pensar, muitas vezes desejamos estar em lugares altos ou de destaque e nunca os alcançamos, seja no trabalho ou no ministério ou onde for. Deus conhece nosso coração e talvez as alturas sufoquem os nossos sentimentos por Ele, e assim decide nos manter em lugares não tão altos.
De fato devemos ser muito maduros para pensar ou reconhecer isto.
 
Conclusão
Saul foi escolhido por Deus para ser rei, Deus lhe deu um novo coração e o Espirito Santo estava sobre ele, mesmo assim por causa da sua fraqueza e desobediência Saul foi rejeitado. Os últimos anos do seu reinado foram marcados por amargor, ciúmes e desorientação. Sua morte inglória só é minorada pela gratidão de Jabes Gileade.
Oportunidade dada, responsabilidade exigida. Aquele a quem muito foi dado, muito foi requerido.
Saul é um exemplo a ser considerado, um alerta da necessidade de obediência e fidelidade a Deus.
Assim morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, que ele não guardara, e também porque interrogara e consultara uma necromante. 1 Crônicas 10:13.
 
Fonte:
Bíblia Sagrada: 01º Samuel 9-31.
Comentários de rodapé Bíblia da Mulher, João Ferreira de Almeida.
Mapas e Resumos, Bíblia Thompson.
Livreto: Os caminhos do Povo da Aliança – José Carlos da Silva (LERBAN)
Wikipedia: www.wikipedia.com.br
 
 

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