Introdução e Contexto:
Josué viveu 110 anos e faleceu, a terra prometida
havia sido conquistada em parte, mas muito ainda havia que se fazer. O povo
serviu a Deus todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que
sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras
feitas pelo Senhor a Israel.
Mas após isso, outra geração se
levantou após eles, que não conhecia ao Senhor nem tampouco as obras que Deus
fizera para libertar a Israel.
Neste período Israel pecava e se
envolvia com a adoração dos deuses pagãos e como consequências destes atos
caiam nas mãos dos cananeus e sofriam e eram perseguidos e eram feitos servos
dele. O Senhor levantava juízes aos quais atribuía o seu poder e a sua
autoridade para julgar, batalhar e libertar a terra, contudo o povo não
obedecia aos juízes e logo que Deus os livrava tornavam a se voltar aos deuses
falsos e ainda sim quando o juiz falecia, se tornavam ainda piores do que antes.
O período de Juízes se conclui
em Samuel, quando ao final de sua vida o profeta nomeia seus filhos como juízes
sobre Israel (1º Samuel 8:1), porém seus filhos não andaram segundo seu
caminho, mas se inclinaram a avareza e aceitaram subornos e perverteram o
direito.
Assim os anciãos de Israel se
reúnem para falar com Samuel e lhe pedem um rei.
Deus era o rei de Israel,
guiando, protegendo e cuidando dele, mas o povo de Deus decidiu seguir o seu
próprio caminho, desobedecendo ao Senhor. Deus disciplinou seus filhos por meio
da opressão de outras nações. Eles, porém acharam que estavam sendo derrotados
por outros exércitos por não possuírem um rei humano visível.
Como profeta e sacerdote Samuel havia levado seu povo diversas
vezes a olhar para Deus como seu Rei e ao mesmo tempo viveu como modelo de
reverência e obediência a Deus.
O fato de ter um rei em si não
era errado, uma vez que o Deus já havia prometido um rei (Gn 49:10), e por meio
de Moisés deu diretrizes para o comportamento de um rei (Dt 17: 14-20). Mas o
motivo pelo qual o povo queria um rei era errado (1 Sm 8:20).
Eles desejavam
ser como as outras nações, tendo um rei para lutar por eles em suas batalhas,
mesmo depois de Samuel ter advertido o povo sobre como um rei iria trata-los (1
Sm 8: 11-18 – Impostos, trabalhos forçados, serviço militar).
O pedido dos anciãos não agradou
a Samuel e este orou ao Senhor que lhe respondeu: “Atende a voz do povo, pois
não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele”.
O ano é aproximadamente 1021 A.C.
A escolha de Saul,
exaltando o menor!
De
uma lado do país um homem perde duas jumentas, bens preciosos para uma família,
considerada a menor família da menor tribo daquela nação, e preocupado com seu
bem pede ao seu filho que saia com seus servos a procura dos animais.
Do outro lado um
sacerdote orientado por Deus deixa sua cidade e seguir em direção ao local
determinado por Ele para encontrar um rapaz que livraria o seu povo das mãos
dos seus opressores.
Estas duas situações
providenciadas por Deus demonstram o cuidado de Deus em atender o seu povo que
havia lhe pedido um rei.
O rapaz Saul, passa
por várias cidades a procura das jumentas e chega a um lugar chamado Zufe onde
começa a desanimar da procura e decide retornar a casa de seu pai, preocupado
que este se afligisse por ele não voltar. Neste tempo seu companheiro de viagem
propõe que consultem o profeta na cidade, nada menos do que Samuel, que estava
ali para um momento já reservado por Deus. Sem saber Saul o encontra no caminho
e lhe pergunta sobre o profeta que se apresenta e o convida para jantarem
juntos. Após o jantar ao saírem para retornarem para suas casas Samuel unge
Saul como rei transferindo a autoridade de liderar o povo para este homem.
Ainda sim, para que
perante o povo Saul fosse reconhecido e determinado rei, Samuel convocou todos
a Mispá e lançou sorte sobre as tribos, famílias e sobre os homens e o Senhor
lhe confirmou sobre todos de Israel. Saul era o rei, que todos imaginavam.
Sobressaia a todos do
ombro para cima e ainda sim não se encontrava no reino homem mais belo que ele.
O modelo perfeito do Rei que Israel poderia ter imaginado quando decidiu que
Deus não lhe seria mais o líder.
No campo de batalha, se
mostra a confiança em Deus!
Saul
parecia não entender o que estava acontecendo em sua vida, após sua proclamação
como se nada tivesse sido mudado este homem retornou a casa de seu pai e foi tocar
o gado como antes o fazia.
Neste
meio tempo os amonitas invadiram a cidade de Jabes Gielade ao norte das doze
tribos. Temendo por suas vidas os anciãos da cidade pedem aos amonitas que se
aliem a eles e que não os matem. Os conquistadores atendem ao pedido com uma
condição, que todos em Israel tivessem seu olho direito vazado, os anciãos
pediram uma semana para pensarem no caso e buscaram ajuda por todo o Israel por
alguém que os pudesse livrar. Como não se encontrou tal homem, todos se
colocaram a chorar e Saul voltando do pasto perguntou o que havia ocorrido e
quando o soube o espírito do Senhor esteve sobre ele e grande ira se ascendeu
em seu coração. Como símbolo de uma aliança, partiu um de seus gados e várias
partes e enviou estas ao reino dizendo que quem não o apoiasse teria como consequência
a destruição de seus bens.
O
povo se uniu e 330 mil homens marcharam para libertar Jabes Gileade, pela
madrugada houve grande batalha até o entardecer e Amon foi destruído a ponto de
fugirem, mas não ficarem dois juntos.
Saul
foi confirmado rei sobre Israel, Samuel lhe resigna seu cargo de liderança a
Saul, mas não deixa de repreender o povo por desejar um rei que não Deus. Ainda
sim profetiza sobre o povo que se seguirem as leis do Senhor e o obedecerem
tanto o rei como a nação seriam prosperas que o Senhor não os abandonaria e
seus profetas não deixariam de orar por eles.
Neste
momento teríamos duas figuras representando a autoridade de Deus na terra e que
deveriam andar em conjunto e obedecerem ao Senhor. O rei era responsável por
administrar a aliança do Senhor e o profeta deveria dar o conselho espiritual e
a instrução divina, exortação e admoestação. Esse relacionamento tornava
necessário que o rei respeitasse e ouvisse os profetas.
Relacionamento
que um ano após inicio do seu reinado Saul deixou de lado, e desobedeceu as
instruções de Deus dadas por meio de Samuel.
Um
ano após estes acontecimentos os filisteus se reuniram para atacar Israel,
antes da batalha Samuel deveria sacrificar ao Senhor no altar para que o Rei
tivesse o favor de Deus e a batalha fosse entregue em suas mãos. Samuel
orientou a Saul que aguardasse sete dias, neste meio tempo o povo foi se
alterando e dispersando, seu exercito foi lhe abandonando. Desesperado Saul se
colocou na posição de sacerdote e realizou o sacrifício no lugar de Samuel,
momentos antes de este chegar ao local para a cerimônia.
Samuel
o repreende e profetiza que a sua casa não se perpetuará no reinado de Israel
pois havia agido nesciamente e não confiado no Senhor, antes temeu aos homens
mais do que a Deus e buscou agradar ao povo mais do que a Deus. A atitude de
Saul mostrou fraqueza e inconstância por mais uma vez, mas ainda sim Deus deu o
livramento ao povo de Israel por meio de Jonatas.
Uma
nova batalha surge contra os amalequitas, Deus havia julgado aquele povo e
ordenou a Saul que os destruísse, esta seria a oportunidade de se redimir e o
Senhor lhe ordenou matasse a todos os habitantes desde os homens até as
crianças de peito, seus animais e seus tesouros com nada deveriam ficar. Mas
Saul mais uma vez sucumbiu em agradar o povo, fez o rei amalequita prisioneiro
a fim de demonstrar ao povo sua força e ainda sim permitiu a todos que
recolhessem os animais e bens de valor e qualidade e o que era desprezível
fosse jogado fora.
O
Senhor se arrependeu de ter elegido Saul como seu Rei e veio a palavra por
intermédio de Samuel, que Deus o havia rejeita e que outro seria colocado em
seu lugar.
Deus dá seguimento ao
seu plano!
Todos
conhecem a historia do momento em que Davi foi ungido novo rei de Israel, mas o
que isso significa para Saul? Este foi o maior sinal de sua rejeição e de que
era um rei fraco para o seu povo.
Por
diversas vezes confiou em sua força e não agradou a Deus, primeiro em sua
eleição se escondeu, em seguida oferece sacrifícios no lugar do profeta, ainda sim
permite ao povo que desobedeça as ordens de Deus descaradamente os levando
diversas vezes ao pecado por sua imaturidade. Erigiu uma imagem em sua homenagem
e ainda sim se mostrou fraco e inglório, por confiar em si mesmo não enfrentou
Golias, o que era dever do rei neste tipo de batalha.
Davi
ungido rei por Samuel, recebeu o espírito do Senhor que se apartou de Saul e
repousou sobre ele. Além de o Senhor rejeita-lo como rei ainda lhe retirou seu espírito
e colocou sobre ele um espírito maligno que o atacava todos os dias e o levava
a loucura. Como providencia de Deus este mesmo espírito era retirado ao som da
harpa de Davi que se tornou genro de Saul e por suas inúmeras vitórias passou a
ser perseguido e odiado por ele.
Saul
não aceitou o fato de o Senhor ter se apartado dele e enlouqueceu tentando
matar o próprio filho que não o apoiava na perseguição contra Davi que lhe era
leal, mesmo tendo duas oportunidades de mata-lo não o fez, pois entendia que se
Deus o escolhera como rei no lugar de Saul, então que Deus removesse a Saul,
não lhe cabia este papel. Ainda sim, preocupado com suas batalhas se venceria
ou não procurou uma necromante (Necromancia: Consiste na adivinhação mediante a
consulta dos mortos e seus espíritos ou cadáveres) para consultar o espírito de
Samuel que já havia falecido, buscando refugio não em Deus mas em forças ocultas,
que ainda sim profetizou seu fim.
A morte inglória de
Saul
Em
sua ultima batalha contra os filisteus, Saul, seus filhos Jônatas, Abinadabe e
Malquisua estavam juntos. Os homens de Israel fugiram e caíram mortos pelo
caminho e os filisteus apertaram na batalha contra a casa de Saul.
Seus
filhos foram mortos, e com medo de ser usado como vergonha para Israel sendo preso
e transformado em escravo ou servo do rei conquistador pediu ao seu escudeiro
que o matasse em meio à luta, mas este temeu e não o fez. Desesperado Saul se
lança sobre sua própria espada e se mata.
Os
filisteus conquistaram as cidades e enquanto recolhiam os despojos encontraram
os corpos do Rei e dos príncipes. Tiraram-lhes as roupas, recolheram suas armas
e armaduras, cortarem as cabeças e pregaram seus corpos no muro da cidade de
Bete-Seã, próxima a Jabes Gileade.
Os
homens de Jabes souberam do ocorrido e como sinal de gratidão ao Rei que os
libertou da vergonha marcharam em direção a cidade, recolheram seus corpos os
queimaram e enterraram seus ossos sob uma arvore na cidade.
Aprendemos na vida de
Saul que:
Através
da vida de Saul podemos observar que o Senhor não se incomoda com quem somos ou
nossa classe social, ou em que situação nos encontramos. A bíblia em diversas
vezes nos mostra que Deus nos deseja ao seu lado como somos. Saul era o filho
mais moço, da família mais pobre, da menor tribo e isto não impediu sua unção.
O Senhor queria transforma-lo em um homem digno de dirigir o seu reinado e
tinha planos de manter sua descendia para sempre no reinado de Israel.
Sua
desobediência o desqualificou, sua posição como rei exigia grande lealdade ao
Senhor, pois quanto mais próximos estamos de Deus, mas Ele exige santidade e
confiança para nos mostrar e nos confiar seu povo e suas maravilhas. Esta desobediência
de Saul fez com que sua linhagem fosse interrompida, e infelizmente na história
de Israel notaremos que os reis não atendiam ao chamado do Senhor o que os
levou a divisão do reino e ainda sim ao cativeiro.
Existia
uma regra simples, descrita em primeiro Samuel, e podemos observar nestas
passagens grandes provérbios de instrução.
Primeiramente
Samuel os informa que se o povo e o rei seguirem os mandamentos de Deus seriam prósperos,
em seguida repreende a Saul e lhe diz que é melhor obedecer do que sacrificar e
ainda sim vemos Deus falando a Samuel que ele não olha para aparência e sim
para o coração, no momento em que ungia a Davi.
Mas
o coração do homem se exalta e ele passa a esquecer de quem é o seu Deus, e
quem é o Seu Senhor.
Nos leva a pensar, muitas
vezes desejamos estar em lugares altos ou de destaque e nunca os alcançamos,
seja no trabalho ou no ministério ou onde for. Deus conhece nosso coração e
talvez as alturas sufoquem os nossos sentimentos por Ele, e assim decide nos
manter em lugares não tão altos.
De fato devemos ser
muito maduros para pensar ou reconhecer isto.
Conclusão
Saul foi escolhido
por Deus para ser rei, Deus lhe deu um novo coração e o Espirito Santo estava
sobre ele, mesmo assim por causa da sua fraqueza e desobediência Saul foi
rejeitado. Os últimos anos do seu reinado foram marcados por amargor, ciúmes e
desorientação. Sua morte inglória só é minorada pela gratidão de Jabes Gileade.
Oportunidade dada,
responsabilidade exigida. Aquele a quem muito foi dado, muito foi requerido.
Saul é um exemplo a
ser considerado, um alerta da necessidade de obediência e fidelidade a Deus.
Assim morreu Saul
por causa da sua transgressão cometida contra o Senhor, por causa da palavra do
Senhor, que ele não guardara, e também porque interrogara e consultara uma
necromante. 1 Crônicas 10:13.
Fonte:
Bíblia Sagrada: 01º Samuel 9-31.
Comentários de rodapé Bíblia da Mulher,
João Ferreira de Almeida.
Mapas e Resumos, Bíblia Thompson.
Livreto: Os caminhos do Povo da Aliança –
José Carlos da Silva (LERBAN)
Wikipedia: www.wikipedia.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário