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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Lições Sobre Débora e Gideão


Lições de Débora e Gideão

Contexto

Depois da sua chegada a Canaã e do seu esta­be­le­cimento no território, como está descrito em Josué, as doze tribos fica­ram um pouco à mercê dos povos que ainda ocupavam a terra. Cananeus e filisteus continuavam a sua luta para expulsar as tribos israelitas que se tinham infiltrado em algumas parcelas do seu território, ainda sim algumas tribos ali permaneciam pois o povo desobedecera a determinação de Deus e fizeram aliança com os povos que ali residiam e Deus permitiu que estes se tornassem provações para eles.

Depois da morte de Josué, por volta de 1200 a.C. (Js 24), as tribos fica­ram sem um chefe que unisse todas as forças para se defenderem dos inimigos es­trangeiros.

A única autoridade constituída era a dos anciãos de cada tribo. Além disso, estas pequenas tribos eram muito independentes entre si, e não era fácil ajunta-las. Ficavam, assim, mais expos­tas aos ataques de filis­teus, cananeus, midianitas, amonitas, moabi­tas, todos inimigos históricos de Israel.


Quem são os Juizes ?

É nestas circunstâncias que aparecem os Juízes. Não são chefes constituídos oficialmente, mas homens e mulheres carismá­ti­­cos, atentos ao Espírito do Senhor, pessoas marcadas por uma forte perso­na­lidade, capazes de se imporem moralmente perante as outras tribos.

Deste modo, quando alguma tribo era atacada, o Juiz convocava as outras para irem em socorro da tribo irmã. Uma outra função que lhes poderia ser atri­buí­da era a de julgar (da raiz chaphat, que significa “admi­nis­trar a justiça”, “pro­teger”), em casos especiais.

O tempo dos Juízes é, pois, o tempo da consolidação das tribos no seu ter­ri­tório, perante os inimigos estrangeiros, e o tempo das primeiras tenta­tivas de estabelecer um estado/pais entre as várias tribos com diferentes origens.

 

Débora

 

Débora é o quarto Juiz dos 13 juízes ao qual são registrados neste livro. Ao que tudo indica Débora era uma dona de casa quando foi escolhida para servir a sua nação. Não sendo de linhagem aristocrática, ou seja, não tendo grande formação intelectual para atender os interesses do povo, ela é identificada apenas como a Mulher de Lapidote, contudo foi a única mulher nas escrituras elevada ao mais alto grau político pelo seu próprio povo.

Em uma nação que estava longe do Senhor, onde cada uma de suas tribos fazia o que lhe julgava certo e do seu próprio modo, Débora foi antes de tudo uma conselheira ao demonstrar sua sabedoria e ajudar o povo os atendendo em uma palmeira próxima a sua casa, discutindo e sugerindo soluções para as pessoas e seus problemas.

Nos dias de Débora o sistema judicial era incapaz e incompetente, o exercito era fraco demais para defender as fronteiras, as tribos não eram unidas, o sacerdócio era corrompido e a bíblia diz que o povo se prostituia, referindo a adoração a outros deuses e abandonando os caminhos do Senhor, influenciados pelas nações vizinhas e dominantes.

E foi nesta situação que Débora tornou-se Juíza do povo.

Neste tempo um rei conhecido como Jabim, juntamente com seu comandante Sisera comandavam o exercito de Canaã e assolavam a Israel.

A opressão dos cananeus nesta época provavelmente foi resultado de uma coalizão de cidades cananeias do norte que procuravam reaver a terra e restaurar o poder cananeu no local, uma ameaça mais seria do que apenas saques, eles queriam reaver a terra que antes eram sua habitação colocando em risco a permanência de Israel naquele local.

Jabim era um rei de varias alianças, dentre elas este estabeleceu aliança com Héber, descendente do Jetro sogro de Moisés, que habitava em tendas fora de qualquer cidade e era metalúrgico o que concedeu ao exercito de Sisera novecentos carros de ferro o que significava que tinham um exercito praticamente invencível.

Débora juíza em Israel convocou a Baraque da tribo da Naftali e lhe proferiu uma profecia dizendo que Deus entregaria o rei e seu exercito em sua mão.

A integridade de Débora e a ação do espírito de Deus em sua vida lhe conferiram a liderança e o respeito a fim de levar Israel à batalha independente do fato de ser mulher.

Baraque por sua vez aceitou o pedido de Débora, porém disse que seguiria em frente se Débora fosse juntamente com ele, demonstrando assim certa insegurança, o que lhe fez perder a honra maior da batalha, que seria derrotar Sisera. A juíza de prontidão aceitou participar da batalha e ainda sim determinou qual seria a estratégia a ser seguida, e profetizou que Sisera seria destruído não pelas mãos de Baraque, mas pelas mãos de uma mulher, o que era considerado uma desgraça no antigo oriente médio.

As tropas de Israel se reuniram no monte Tabor, que ficava no território de Issacar. Ao saber disso Jabim marchou contra eles com todo o seu poderio, com a certeza que derrotariam os israelitas, pois o terreno era propicio para utilização dos seus carros de ferro, mas ainda sim demonstrando coragem e determinação Baraque e seu exercito desceram na direção da batalha e Deus lhes proporcionou uma vitória esmagadora, fazendo com que os carros atolassem na lama e seus guerreiros fossem atacados.

O general Sisera fugiu e buscou abrigo na casa de Heber, fora da cidade, o qual era aliado do rei Jabim. Lá encontrou Jael, esposa de Heber e lhe pediu abrigo.

Jael não só lhe concedeu abrigo, como o alimentou e o fez descansar. Sisera confiante na mulher, adormeceu. Jael sabia o quanto Israel o procurava e que deveria manter uma aliança com este povo, afinal eram parentes de Moisés e conheciam o Deus verdadeiro e pensando nisto lançou mão de um martelo e uma estaca e enquanto Sisera dormia cravou-lhe a estaca na cabeça até atravessar-lhe e fincar no chão e assim Sisera morreu.

Baraque o procurava e Jael foi ao seu encontro e para lhe informar do ocorrido o qual viu Sisera morto e a estaca em sua cabeça, ainda sim a mão dos filhos de Israel prevalecia contra o Rei Jabim até que o exterminaram.

E a terra ficou em paz por quarenta anos.

 

Gideão

                Mais uma vez o povo fez o que era mau aos olhos do Senhor, e se prostitui com os falsos deuses e o Senhor permitiu que os midianitas prevalecessem sobre Israel, mas de tal forma que não tivessem com o que alimentar seus rebanhos e suas famílias, pois todas as vezes que plantavam, vinham os inimigos e destruíam ou saqueavam tudo. Então o povo clamou ao Senhor.

                Gideão estava em sua casa tentando esconder seu trigo para que os midianitas não o fossem roubar, era o filho mais novo da família mais pobre da tribo de Manasses, e enquanto o fazia o Senhor lhe fez uma proposta surpreendente.

                Apareceu o Senhor embaixo de uma arvore a Gideão e lhe disse: O Senhor é contigo. Gideão retrucou ao Senhor lhe dizendo que se o Deus era com eles por que então estavam entregues na mão do inimigo sendo assolados e devastados pelos midianitas. E Deus lhe disse: Vai nesta tua força e livra Israel da mão dos midianitas, não te enviei eu? Ainda sim Gideão, homem de pouca coragem e precisando acrescentar sua fé, pediu ao Senhor uma prova e lhe sugeriu que aguardasse enquanto buscava em sua casa, algo para ofertar ao Senhor. Ao retornar Deus lhe pediu que colocasse sobre a rocha a sua frente tudo que havia trazido e estendeu seu cajado que ao tocar na pedra, brotou uma forte chama que consumiu toda a oferta.

                Encorajado, Gideão destruiu o altar dedicado a Baal que estava no monte e com ele fez lenha para queimar ofertas ao Senhor. Confrontado por seus vizinhos o pai de Gideão o defendeu e disse que se alguém deveria se levantar contra Gideão pelo que fez, que deveria ser o próprio Baal e a partir dali Gideão passou a ser conhecido como Jerubaal, que significa; Baal contenda contra ele, pois derrubou seu altar.

                Gideão soube que os midianitas estavam acampados e convocou as tribos próximas para guerrear. Mas Gideão era muito inseguro e mais uma vez pediu uma prova a Deus que atendeu seu pedido, mais duas vezes. Ao todo Gideão levantou 32 mil homens para a batalha contra os midianitas.

                Reunido o povo, Deus decidiu mostrar seu poder para que pudessem saber quem os livraria. Deus disse a Gideão que havia muitos homens com ele e sugeriu que dissesse aos tímidos e medrosos que poderiam ir para casa sem nenhum problema. E 22 mil foram os que se levantaram. Ainda sim o Senhor considerou que os dez mil que restaram ainda eram muitos e que Israel poderia acreditar que venceram a batalha pela sua força e Deus disse a Gideão que levasse todos ao lago para beber água e aos que Deus dissesse que deveria ir com ele a batalha que assim iria, mas ao que não deveria ser dispensado do serviço e retornar a sua casa.

                E assim Gideão e mais trezentos homens foram a batalha, contra os midianitas e amalequitas e os povos do oriente que juntos cobriam o vale como gafanhotos em multidão e eram os seus camelos em multidão inumerável como a areia que há na praia do mar.

                Antes da batalha Deus disse a Gideão que descesse com mais para o campo dos midianitas e lá este ouviu dois homens conversando. Estes falavam de um sonho onde um pão de cevada (que era um pão feito com grãos de qualidade inferior e simbolizava um Israel fraco) girava sobre o acampamento dos midianitas e dava de encontro com a tenda do general a derrubando (que significava o acampamento e exercito midianita). Um dos homens interpretou o sonho enquanto Gideão ainda ouvia e disse que nada mais era aquilo que Gideão cujo Deus havia entregada a batalha em suas mãos. Informação valiosa que convenceu o homem que pedia a Deus prova de sua presença a ir à batalha.

                A frente de uma pequena tropa divida em três grupos de 100, armados com nada mais do que vasos de barro, tochas e trombetas, Gideão e seus homens cercaram o acampamento midianita durante a noite e fazendo uma grande bagunça os assustou de tal modo que todos ficaram desorientados e começaram um a matar o outro e os que não se mataram fugiram correndo. Os demais homens de Israel foram convocados a cercar os midianitas e mata-los enquanto Gideão buscava os príncipes dos midianitas.

                Tendo matado os últimos lideres midianitas o povo tentou aclama-lo como rei, e em uma ação nobre Gideão disse ao povo que ninguém poderia ser rei acima deles se não o Senhor. Embora não tenha aceitado ser rei, se entregou a vaidade e pediu ao povo presentes ao qual utilizou para fazer para si uma estola sacerdotal se autoproclamando sacerdote e colocou sobre sua cidade.

                O povo passou a adorar a estola e os atos de Gideão e esta atitude foi grande laço para seus pés e para sua família.

                Gideão teve 70 filhos de suas mulheres e um filho de uma concubina da cidade de Siquem chamado Abimileque. Após sua morte o povo voltou a se prostituir com os falsos deuses e este filho bastardo de Gideão se autoproclamou herdeiro do trono de Israel e assassinou 69 dos seus meio irmãos e reinou sobre Israel durante 03 anos.

                Como punição por suas atitudes todo o povo de Siquem foi destruído e ainda sim foi morto pelas mãos de uma mulher, que durante um ataque a uma cidade próxima lhe jogou uma grande pedra na cabeça rachando – lhe o crânio e este pediu a morte para seu moço o qual o matou em sinal de honra.

Conclusão:

                Podemos tirar valiosas lições da vida de Débora e Gideão, primeiramente que o Senhor busca pessoas com o caráter reto e que estejam comprometidas com seus propósitos, além de terem temor e se afastarem da injustiça, buscam agradar a Deus que se agrada do mesmo e os capacita para cumprir seus desígnios.

                Vemos também que o Senhor age para glorificar o seu nome, não dividindo assim sua glória com ninguém utilizando das desvantagens de seu povo para assim lhes dar vitórias grandiosas, como no caso de Débora que venceu um exercito bem estrutura que continham até carros de ferros e no caso de Gideão que com trezentos homens, vasos de barro e trombetas venceram um exercito que se igualavam as areias do mar em numero.

                O Senhor busca homens e mulheres de fé, apesar da sua infinita misericórdia desbravadores e pessoas que confiam no Senhor plenamente serão chamados para cumprir seus propósitos e os que não depositam toda a sua confiança em Deus perdem a maior de todas as bênçãos como podemos ver no caso de Baraque que foi impedido de derrotar o general Sisera, pois não confiou plenamente nas palavras de Débora que proviam do Senhor.

                Ainda sim aprendemos que a vaidade que toma o coração do homem o impede de ser ainda mais abençoado por Deus e o fato de ter sido um instrumento em determinada ocasião não é a garantia de aprovação condicional, devemos atribuir toda a honra e glória ao Senhor que nos concede a vitória.

                E por fim as histórias de Débora e Gideão nos ensinam que Deus, poderoso e fiel, age em favor do seu povo sempre que eles o buscarem.

 

 

Fonte:

A Bíblia da Mulher: Texto e Comentários de Rodapé, além de quadros explicativos.


Livro de Estudo Os caminhos do povo da aliança de José Carlos da Silva.

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