Lições de Débora e Gideão
Contexto
Depois da
sua chegada a Canaã e do seu estabelecimento no território, como está
descrito em Josué, as doze tribos ficaram um pouco à mercê dos povos que ainda
ocupavam a terra. Cananeus e filisteus continuavam a sua luta para expulsar as
tribos israelitas que se tinham infiltrado em algumas parcelas do seu
território, ainda sim algumas tribos ali permaneciam pois o povo
desobedecera a determinação de Deus e fizeram aliança com os povos que ali
residiam e Deus permitiu que estes se tornassem provações para eles.
Depois da
morte de Josué, por volta de 1200 a.C. (Js 24), as tribos ficaram sem um chefe
que unisse todas as forças para se defenderem dos inimigos estrangeiros.
A única
autoridade constituída era a dos anciãos de cada tribo. Além disso, estas
pequenas tribos eram muito independentes entre si, e não era fácil ajunta-las.
Ficavam, assim, mais expostas aos ataques de filisteus, cananeus, midianitas,
amonitas, moabitas, todos inimigos históricos de Israel.
Quem são os Juizes ?
É nestas
circunstâncias que aparecem os Juízes. Não são chefes constituídos
oficialmente, mas homens e mulheres carismáticos, atentos ao Espírito do
Senhor, pessoas marcadas por uma forte personalidade, capazes de se imporem
moralmente perante as outras tribos.
Deste modo,
quando alguma tribo era atacada, o Juiz convocava as outras para irem em
socorro da tribo irmã. Uma outra função que lhes poderia ser atribuída era a
de julgar (da raiz chaphat, que significa “administrar a justiça”, “proteger”),
em casos especiais.
O tempo dos
Juízes é, pois, o tempo da consolidação das tribos no seu território, perante
os inimigos estrangeiros, e o tempo das primeiras tentativas de estabelecer um
estado/pais entre as várias tribos com diferentes origens.
Débora
Débora é
o quarto Juiz dos 13 juízes ao qual são registrados neste livro. Ao que tudo
indica Débora era uma dona de casa quando foi escolhida para servir a sua
nação. Não sendo de linhagem aristocrática, ou seja, não tendo grande formação
intelectual para atender os interesses do povo, ela é identificada apenas como
a Mulher de Lapidote, contudo foi a única mulher nas escrituras elevada ao mais
alto grau político pelo seu próprio povo.
Em uma
nação que estava longe do Senhor, onde cada uma de suas tribos fazia o que lhe
julgava certo e do seu próprio modo, Débora foi antes de tudo uma conselheira
ao demonstrar sua sabedoria e ajudar o povo os atendendo em uma palmeira
próxima a sua casa, discutindo e sugerindo soluções para as pessoas e seus
problemas.
Nos dias
de Débora o sistema judicial era incapaz e incompetente, o exercito era fraco
demais para defender as fronteiras, as tribos não eram unidas, o sacerdócio era
corrompido e a bíblia diz que o povo se prostituia, referindo a adoração a
outros deuses e abandonando os caminhos do Senhor, influenciados pelas nações
vizinhas e dominantes.
E foi
nesta situação que Débora tornou-se Juíza do povo.
Neste
tempo um rei conhecido como Jabim, juntamente com seu comandante Sisera
comandavam o exercito de Canaã e assolavam a Israel.
A
opressão dos cananeus nesta época provavelmente foi resultado de uma coalizão de
cidades cananeias do norte que procuravam reaver a terra e restaurar o poder
cananeu no local, uma ameaça mais seria do que apenas saques, eles queriam
reaver a terra que antes eram sua habitação colocando em risco a permanência de
Israel naquele local.
Jabim era
um rei de varias alianças, dentre elas este estabeleceu aliança com Héber,
descendente do Jetro sogro de Moisés, que habitava em tendas fora de qualquer
cidade e era metalúrgico o que concedeu ao exercito de Sisera novecentos carros
de ferro o que significava que tinham um exercito praticamente invencível.
Débora juíza
em Israel convocou a Baraque da tribo da Naftali e lhe proferiu uma profecia
dizendo que Deus entregaria o rei e seu exercito em sua mão.
A
integridade de Débora e a ação do espírito de Deus em sua vida lhe conferiram a
liderança e o respeito a fim de levar Israel à batalha independente do fato de
ser mulher.
Baraque
por sua vez aceitou o pedido de Débora, porém disse que seguiria em frente se Débora
fosse juntamente com ele, demonstrando assim certa insegurança, o que lhe fez
perder a honra maior da batalha, que seria derrotar Sisera. A juíza de
prontidão aceitou participar da batalha e ainda sim determinou qual seria a
estratégia a ser seguida, e profetizou que Sisera seria destruído não pelas
mãos de Baraque, mas pelas mãos de uma mulher, o que era considerado uma
desgraça no antigo oriente médio.
As tropas
de Israel se reuniram no monte Tabor, que ficava no território de Issacar. Ao
saber disso Jabim marchou contra eles com todo o seu poderio, com a certeza que
derrotariam os israelitas, pois o terreno era propicio para utilização dos seus
carros de ferro, mas ainda sim demonstrando coragem e determinação Baraque e
seu exercito desceram na direção da batalha e Deus lhes proporcionou uma
vitória esmagadora, fazendo com que os carros atolassem na lama e seus
guerreiros fossem atacados.
O general
Sisera fugiu e buscou abrigo na casa de Heber, fora da cidade, o qual era
aliado do rei Jabim. Lá encontrou Jael, esposa de Heber e lhe pediu abrigo.
Jael não
só lhe concedeu abrigo, como o alimentou e o fez descansar. Sisera confiante na
mulher, adormeceu. Jael sabia o quanto Israel o procurava e que deveria manter
uma aliança com este povo, afinal eram parentes de Moisés e conheciam o Deus
verdadeiro e pensando nisto lançou mão de um martelo e uma estaca e enquanto
Sisera dormia cravou-lhe a estaca na cabeça até atravessar-lhe e fincar no
chão e assim Sisera morreu.
Baraque o
procurava e Jael foi ao seu encontro e para lhe informar do ocorrido o qual viu
Sisera morto e a estaca em sua cabeça, ainda sim a mão dos filhos de Israel
prevalecia contra o Rei Jabim até que o exterminaram.
E a terra
ficou em paz por quarenta anos.
Gideão
Mais uma vez o povo fez o que era
mau aos olhos do Senhor, e se prostitui com os falsos deuses e o Senhor
permitiu que os midianitas prevalecessem sobre Israel, mas de tal forma que não
tivessem com o que alimentar seus rebanhos e suas famílias, pois todas as vezes
que plantavam, vinham os inimigos e destruíam ou saqueavam tudo. Então o povo
clamou ao Senhor.
Gideão
estava em sua casa tentando esconder seu trigo para que os midianitas não o
fossem roubar, era o filho mais novo da família mais pobre da tribo de Manasses,
e enquanto o fazia o Senhor lhe fez uma proposta surpreendente.
Apareceu o
Senhor embaixo de uma arvore a Gideão e lhe disse: O Senhor é contigo. Gideão
retrucou ao Senhor lhe dizendo que se o Deus era com eles por que então estavam
entregues na mão do inimigo sendo assolados e devastados pelos midianitas. E
Deus lhe disse: Vai nesta tua força e livra Israel da mão dos midianitas, não
te enviei eu? Ainda sim Gideão, homem de pouca coragem e precisando acrescentar
sua fé, pediu ao Senhor uma prova e lhe sugeriu que aguardasse enquanto buscava
em sua casa, algo para ofertar ao Senhor. Ao retornar Deus lhe pediu que
colocasse sobre a rocha a sua frente tudo que havia trazido e estendeu seu
cajado que ao tocar na pedra, brotou uma forte chama que consumiu toda a
oferta.
Encorajado,
Gideão destruiu o altar dedicado a Baal que estava no monte e com ele fez lenha
para queimar ofertas ao Senhor. Confrontado por seus vizinhos o pai de Gideão o
defendeu e disse que se alguém deveria se levantar contra Gideão pelo que fez,
que deveria ser o próprio Baal e a partir dali Gideão passou a ser conhecido
como Jerubaal, que significa; Baal contenda contra ele, pois derrubou seu
altar.
Gideão
soube que os midianitas estavam acampados e convocou as tribos próximas para
guerrear. Mas Gideão era muito inseguro e mais uma vez pediu uma prova a Deus
que atendeu seu pedido, mais duas vezes. Ao todo Gideão levantou 32 mil homens
para a batalha contra os midianitas.
Reunido o
povo, Deus decidiu mostrar seu poder para que pudessem saber quem os livraria.
Deus disse a Gideão que havia muitos homens com ele e sugeriu que dissesse aos tímidos
e medrosos que poderiam ir para casa sem nenhum problema. E 22 mil foram os que
se levantaram. Ainda sim o Senhor considerou que os dez mil que restaram ainda
eram muitos e que Israel poderia acreditar que venceram a batalha pela sua
força e Deus disse a Gideão que levasse todos ao lago para beber água e aos que
Deus dissesse que deveria ir com ele a batalha que assim iria, mas ao que não
deveria ser dispensado do serviço e retornar a sua casa.
E assim
Gideão e mais trezentos homens foram a batalha, contra os midianitas e
amalequitas e os povos do oriente que juntos cobriam o vale como gafanhotos em
multidão e eram os seus camelos em multidão inumerável como a areia que há na
praia do mar.
Antes da
batalha Deus disse a Gideão que descesse com mais para o campo dos midianitas e
lá este ouviu dois homens conversando. Estes falavam de um sonho onde um pão de
cevada (que era um pão feito com grãos de qualidade inferior e simbolizava um
Israel fraco) girava sobre o acampamento dos midianitas e dava de encontro com
a tenda do general a derrubando (que significava o acampamento e exercito
midianita). Um dos homens interpretou o sonho enquanto Gideão ainda ouvia e
disse que nada mais era aquilo que Gideão cujo Deus havia entregada a batalha
em suas mãos. Informação valiosa que convenceu o homem que pedia a Deus prova
de sua presença a ir à batalha.
A frente de
uma pequena tropa divida em três grupos de 100, armados com nada mais do que
vasos de barro, tochas e trombetas, Gideão e seus homens cercaram o acampamento
midianita durante a noite e fazendo uma grande bagunça os assustou de tal modo
que todos ficaram desorientados e começaram um a matar o outro e os que não se
mataram fugiram correndo. Os demais homens de Israel foram convocados a cercar
os midianitas e mata-los enquanto Gideão buscava os príncipes dos midianitas.
Tendo
matado os últimos lideres midianitas o povo tentou aclama-lo como rei, e em uma
ação nobre Gideão disse ao povo que ninguém poderia ser rei acima deles se não
o Senhor. Embora não tenha aceitado ser rei, se entregou a vaidade e pediu ao
povo presentes ao qual utilizou para fazer para si uma estola sacerdotal se
autoproclamando sacerdote e colocou sobre sua cidade.
O povo
passou a adorar a estola e os atos de Gideão e esta atitude foi grande laço
para seus pés e para sua família.
Gideão teve
70 filhos de suas mulheres e um filho de uma concubina da cidade de Siquem
chamado Abimileque. Após sua morte o povo voltou a se prostituir com os falsos
deuses e este filho bastardo de Gideão se autoproclamou herdeiro do trono de
Israel e assassinou 69 dos seus meio irmãos e reinou sobre Israel durante 03
anos.
Como
punição por suas atitudes todo o povo de Siquem foi destruído e ainda sim foi
morto pelas mãos de uma mulher, que durante um ataque a uma cidade próxima lhe
jogou uma grande pedra na cabeça rachando – lhe o crânio e este pediu a morte
para seu moço o qual o matou em sinal de honra.
Conclusão:
Podemos tirar valiosas lições da
vida de Débora e Gideão, primeiramente que o Senhor busca pessoas com o caráter
reto e que estejam comprometidas com seus propósitos, além de terem temor e se
afastarem da injustiça, buscam agradar a Deus que se agrada do mesmo e os
capacita para cumprir seus desígnios.
Vemos
também que o Senhor age para glorificar o seu nome, não dividindo assim sua
glória com ninguém utilizando das desvantagens de seu povo para assim lhes dar
vitórias grandiosas, como no caso de Débora que venceu um exercito bem
estrutura que continham até carros de ferros e no caso de Gideão que com
trezentos homens, vasos de barro e trombetas venceram um exercito que se
igualavam as areias do mar em numero.
O
Senhor busca homens e mulheres de fé, apesar da sua infinita misericórdia
desbravadores e pessoas que confiam no Senhor plenamente serão chamados para
cumprir seus propósitos e os que não depositam toda a sua confiança em Deus
perdem a maior de todas as bênçãos como podemos ver no caso de Baraque que foi
impedido de derrotar o general Sisera, pois não confiou plenamente nas palavras
de Débora que proviam do Senhor.
Ainda
sim aprendemos que a vaidade que toma o coração do homem o impede de ser ainda
mais abençoado por Deus e o fato de ter sido um instrumento em determinada
ocasião não é a garantia de aprovação condicional, devemos atribuir toda
a honra e glória ao Senhor que nos concede a vitória.
E por fim as histórias de Débora
e Gideão nos ensinam que Deus, poderoso e fiel, age em favor do seu povo sempre
que eles o buscarem.
Fonte:
A Bíblia
da Mulher: Texto e Comentários de Rodapé, além de quadros explicativos.
Livro
de Estudo Os caminhos do povo da aliança de José Carlos da Silva.
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