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sábado, 22 de junho de 2013

Rei Josias e o Seu Tempo


Cenário mundial:

As três grandes potencias eram a Assíria, Egito e Babilônia. A Assíria e o Egito estavam em declínio nesta época, porém o poder da Babilônia era crescente. Grande parte do que aconteceu com as nações e com o povo de Deus foi no contexto da luta entre essas potencias, em que a Babilônia e a dinastia de Nabucodonosor predominariam. Judá situada na mais importante rota usada pelos exércitos invasores era particularmente vulnerável, pois quem controlasse a Síria e a Palestina poderia atacar o Egito.

Naquela época as cidades "estado" menores sofriam grande pressão para se aliarem a uma potência ou outra e geralmente optavam por quem estava com o exercito mais próximo ou por quem tinha maior probabilidade de vencer. A opção errada traria consequências sérias.

Cenário em Israel:

Neste momento Israel e Judá são nações separadas, como consequência dos erros de Salomão, que adorou aos deuses falsos, aos postes ídolos e ofertou seus filhos a Moloque, o Senhor profetizou a separação do reino em 10 tribos de Israel e 02 tribos que ficaram conhecidas com Judá, por amor a Davi, o Senhor não retirou seu favor da Casa de Davi.

Muitos foram os reis de Israel e Judá, que por muitas vezes se confrontaram e em outras se uniram. Um pouco antes dos tempos de Josias houve reis bons e reis maus perante Deus. Um dos maiores ofensores de Deus foi o avô de Josias, Manassés que desobedeceu a todas as leis contra a adoração de ídolos, construíu lugares de adoração e altares a Baal, consultaram espiritualistas e sacrificou seu filho a Moloque. Além disso, fez papel de súdito leal ao rei Assírio ao adorar os deuses assírios e violar o templo estabelecendo nele lugares de adoração a outros deuses.

Nesta época Judá correu forte risco de se tornar uma nação politeísta adorando a uma série de deuses e tendo Javé como o principal de todos eles. Adoravam aos planetas, os anjos, os elementos e tudo mais. Por causa desta adoração e por sua atitude, onde o livro dos reis deixa claro que Manassés buscava instigar a ira de Deus, o Senhor o entregou como cativo aos príncipes da Assíria e profetizou a destruição de Judá.

Manassés se arrependeu, orou ao Senhor e foi ouvido. Foi restabelecido como rei de Judá e reinou por aproximadamente 50 anos, fez grandes obras, mas por Deus já havia julgado a Judá e seu decreto já havia se estabelecido. Por causa de todo o mau que foi causado Judá sofreria.

Após a morte de Manassés, seu filho Amom assumiu o reinado e tornou a prostituir a nação adorando aos deuses falsos, postes ídolos e ainda sim levando a nação a pecar e se voltar contra Senhor.

A tradição relatada no Talmude revela que "Amom queimou a Torá, e permitiu que teias de aranha cobrissem o altar [pelo desuso completo]... Amom pecou muito".

Depois de reinar dois anos, Amom foi assassinado pelos servos que conspiraram contra ele. Após o assassínio de Amom, os seus executantes tornaram-se impopulares entre a população e acabaram sendo mortos. Alguns estudiosos, afirmam que Amom foi assassinado, porque as pessoas não gostavam da forte influência que o Império Assírio, um antigo inimigo de Judá, responsável pela destruição do Reino de Israel, exercia sobre ele.

E assim Josias com oito anos de idade assume o reino de Judá.

Ascensão e Reinado de Josias

A mãe de Josias, rei de Judá, chamada Jedida, era da cidade de Bozcate. Esse príncipe era tão bom e tão inclinado à virtude que durante toda a sua vida se propôs imitar o rei Davi, tomando-o como modelo. E, desde a idade de doze anos, deu prova ilustre de sua piedade e justiça, pois exortou o povo a renunciar o culto aos falsos deuses e adorar ao Deus de seus antepassados.

Começou, a partir de então, a restaurar a antiga observância às leis, com a prudência de quem já era de muito mais idade. Fazia observar inviolavelmente o que piedosamente era determinado. Além dessa prova de sabedoria natural, serviu-se do conselho dos mais velhos e experimentados para restaurar o culto a Deus e restabelecer a ordem em suas terras. Assim, não corria perigo de cair nas faltas que haviam provocado a ruína de alguns de seus predecessores.

Percorreu todo o reino e procurou onde se adoravam falsas divindades. Ordenou que se cortassem as árvores e derrubassem os altares que lhes eram consagrados e desfez-se com desprezo de tudo o que os outros reis haviam feito para prestar honras e homenagens aos deuses falsos e seus reinos e reis.

Assim, conseguiu tirar o povo de sua louca veneração e levou-o a prestar ao verdadeiro Deus a adoração que lhe era devida. Mandou em seguida oferecer os holocaustos e sacrifícios de costume e nomeou magistrados e censores para a administração de uma exata justiça e para o extremo cuidado em que cada qual cumprisse o seu dever. Ordenou que todas as cidades submetidas ao seu domínio fizessem, por sua ordem, donativos de ouro e prata para a restauração do Templo, como cada qual quisesse, sem se coagir quem quer que fosse. Entregou a direção e a responsabilidade dessa obra a Amasa, governador de Jerusalém, a Safa, secretário, a Joatão, responsável pelos registros, e a Hilquias, sumo sacerdote, e pai do Profeta Jeremias.

Eles trabalharam com tanta solicitude que logo o Templo foi remodelado e restaurado, e todos comentavam com prazer àquela ilustre demonstração da piedade do devoto rei.

No décimo oitavo ano de seu reinado, ele ordenou ao sumo sacerdote que mandasse fazer taças e vasos para o serviço do Templo, não somente com o restante do ouro e da prata doados para a preparação, mas também com tudo o que estava no tesouro. Ao executar a ordem, o sumo sacerdote encontrou os Livros Santos deixados por Moisés, que eram guardados no Templo. Entregou-os a Safa, o secretário, que os leu e levou-os ao rei. E, depois de informá-lo que tudo o que ele ordenara fora executado, leu-lhe os livros.

O piedoso príncipe ficou tão comovido que rasgou as próprias vestes e mandou Safa, o sumo sacerdote, e alguns dos que lhe eram mais fiéis falar com a profetisa Hulda, mulher de Salum, que era um homem ilustre e de família nobre. Eles pediram, em nome do rei, que ela aplacasse a cólera de Deus, de modo que Ele lhe fosse favorável (pois tinha motivo para temer o castigo pelos pecados cometidos pelos reis seus predecessores, que transgrediram as leis de Moisés) e ele não fosse expulso de seu país com todo o povo e levado a uma terra estrangeira, onde terminaria miseravelmente a vida.

Josias ao ouvir as palavras do Senhor proferido em Deuteronômio temeu ao Senhor e sabia que sua justiça não deixaria de ser exercita, conforme sua palavra. O rei entendeu mediante a leitura da palavra que se os mandamentos do Senhor não fossem seguidos todo o povo seria levado cativo.

Deuteronômio 28: 15, 32 e 33 : “Será porém que se não deres ouvido a voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançara e ti alcançarão; Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo; os teus olhos o verão e desfalecerão de saudades todo o dia; porém a tua mão nada poderá fazer. O fruto da terra e todo o teu trabalho comê-los-á um povo que nunca conheceste, e tu serás oprimido e quebrantado todos os dias.”

A profetisa respondeu que comunicassem ao rei que nenhuma prece seria capaz de obter de Deus a revogação de sua sentença: eles seriam expulsos de sua terra e despojados de todas as coisas, porque, tendo violado as santas leis, não se arrependeram, embora tivessem tido tempo suficiente para fazer penitência pelos seus pecados e os profetas os houvessem exortado a isso e predito muitas vezes qual seria o castigo.

Assim, Deus os faria cair em todas as desgraças de que haviam sido ameaçados, para que reconhecessem que Deus e os seus profetas nada lhes haviam anunciado de sua parte que não fosse verdadeiro. No entanto, por causa da piedade do rei, Ele retardaria a execução até depois de sua morte. E então não seria mais adiada.

Diante disso, o rei ordenou a todos os sacerdotes, a todos os levitas e aos demais súditos que fossem a Jerusalém. Lá reunidos, começou por ler-lhes o que estava escrito nos Livros Santos.

Depois colocou-se num lugar elevado e obrigou-os a prometer, com juramento, servir a Deus de todo o coração e observar as leis de Moisés. Eles prometeram e ofereceram sacrifícios para implorar o auxílio divino.

O rei, em seguida, ordenou ao sumo sacerdote que verificasse se restava ainda no Templo algum vaso que os reis seus predecessores houvessem oferecido para culto aos falsos deuses. Muitos foram ainda encontrados, e ele os fez reduzir a pó, lançou a poeira ao vento e mandou matar todos os sacerdotes dos ídolos, que não eram da descendência de Arão.

Depois de praticar em Jerusalém todos esses atos de piedade, foi ele mesmo às províncias para destruir inteiramente tudo o que o rei Jeroboão estabelecera em honra aos deuses estrangeiros. Mandou queimar os ossos dos falsos profetas sobre o altar que aquele rei havia construído, cumprindo o que predissera um profeta ao ímpio príncipe,quando este oferecia um sacrifício naquele altar, na presença de todo o povo: que um sucessor do rei Davi, de nome Josias, executaria todas essas coisas. Viu-se assim a sua realização, trezentos e sessenta anos mais tarde.A piedade de Josias foi ainda além.

Ele mandou investigar cuidadosamente todos os israelitas que se haviam salvado do cativeiro assírio e persuadiu-os a abandonar o detestável culto aos ídolos e a adorar, como os seus antepassados, o Deus Todo-poderoso. Não houve cidade, aldeia ou vila em que ele não tivesse mandado fazer, em todas as casas, uma diligente eliminação de tudo o que servira à idolatria. Mandou também queimar todos os carros que os seus predecessores haviam consagrado ao Sol e nada deixou que pudesse levar o povo a um culto aos deuses falsos.

Quando terminou de purificar todo o território, mandou reunir o povo em Jerusalém para lá celebrar a Páscoa.  Assim, não houve desde os tempos do profeta Samuel, uma festa celebrada com tanta solenidade, porque nelas se observaram todas as cerimônias prescritas na Lei e segundo a antiga tradição.

Morte de Josias e Fim do Império de Judá

Neco, rei do Egito, levado pelo desejo de se tornar senhor da Ásia, marchou para o Eufrates com um grande exército, para fazer guerra aos medos e aos babilônios, que haviam devastado o império da Assíria. Quando chegou próximo da cidade de Megido, no reino de Judá, o rei Josias opôs-se à sua passagem.

Neco mandou dizer-lhe por meio de um arauto que não era a ele que pretendia atacar, mas que marchava para o Eufrates, e que ele não se devia opor à sua passagem, pois isso o obrigaria, contra a sua intenção, a declarar-lhe guerra.

Josias não se deixou comover por essas razões. Permaneceu com sua decisão e seguiu em frente para a batalha.

“Então ele lhe mandou mensageiros, dizendo: Que tenho eu contigo, rei de Judá? Não é contra ti que venho hoje, mas contra a casa que me faz guerra; e disse Deus que me apressasse; guarda-te de te opores a Deus, que é comigo, para que ele não te destrua.”

2 Crônicas 35:21.

Josias foi para a batalha disfarçado, porém foi atingido por um flecha e morreu.

Depois da morte de Josias, seu filho Jeoacaz, sucedeu-o. Ele tinha vinte e três anos e foi muito ímpio. O reido Egito, voltando da guerra, mandou dizer-lhe que viesse a Hamate, que é uma cidade da Síria. Lá chegando, fê-lo prisioneiro e como rei em seu lugar colocou Eliaquim, seu irmão mais velho,  que era da cidade de Ruma. Deu ao novo rei o nome de Jeoaquim e obrigou-o a pagar todos os anos um tributo de cem talentos de prata e um talento de ouro.

Levou Jeoacaz ao Egito, onde ele morreu. Jeoacaz reinou somente três meses e dez dias. O rei Jeoaquim,  foi também um príncipe muito mau. Não tinha temor de Deus nem bondade para com os homens. Depois de Jeoaquim, reinaram Zedequias por aproximadamente onze anos, mas sobre o julgo de outras nações e por fim Joaquim que reinou por três meses e o povo foi levado ao exílio pela Babilônia que destrui o reino e a cidade de Judá, além do templo e dos principais prédios.

 

Conclusão

Com oito anos de idade assumiu um reinado, mesmo seu pai tendo sido um perverso, foi capaz de buscar a Deus e entregar sua vida em suas mãos. Como adolescente, seguiu os conselhos dos mais e confiou neles para dirigir o reino e buscar a presença de Deus já abandonada por seu pai e destruída por seu avô. Manteve-se integro e buscou quebrar as alianças que seus antepassados fizeram com os povos a sua volta.

Restabeleceu em sua vida e na vida da nação a adoração ao Deus verdadeiro, seguiu as leis do Senhor e descobriu que estava prestes a ser exilado junto com sua nação pois seus pais e avós não lhe foram fiéis. Recorreu a Deus que lhe deu o Seu favor e lhe prometeu que não seria cativo, adiaria assim, durante a vida de Josias o cativeiro já anunciado.

Celebrou a páscoa e retirou da nação de Israel e Judá, tudo que pudesse ser o indicio de adoração a outro deus que não Javé.

E o que nossos jovens podem aprender de Josias?

Aprendemos que apesar de sermos frutos das escolhas e decisões de nossos pais, temos a oportunidade de mudar as nossas vidas. Não estamos fadados ao fracasso ou ao insucesso e nem devemos nos considerar perdedores ou derrotados, nossa posição de buscar a Deus para mudar a nossa vida pode mudar a vida da nossa casa, da nossa cidade e da nossa nação.

Mas para isso precisamos remover de dentro dos nossos corações, tudo o que desagrada ou afasta a presença de Deus, ainda mais, devemos nos empenhar em levar o evangelho de libertação para que os que estão a nossa volta possam também se desfazer de tudo que afasta Deus de suas vidas.

Isto só pode ser conquistado mediante ao estudo e reflexão da palavra de Deus constantemente, não devemos nos lembrar de Deus e de sua palavra somente na igreja, ou nos cultos, ou nos eventos e palestras ou somente na escola bíblica, devemos buscar um tempo de sozinhos com Deus que por seu amor e misericórdia virá com sua palavra para nos revelar tudo o que devemos mudar para que sua presença se faça grande em nossos corações. E por amor ao Nosso Deus, o faremos, simplesmente por que desejamos servi-Lo e te-Lo ao nosso lado.

 

Fonte:

Bíblia da Mulher – Textos e Comentários


Guia de Estudo: Os Caminhos do Povo da Aliança – Pastor José Carlos da Silva.

Wikipédia: Algumas informações sobre a vida de Amom.

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